Sustentabilidade: Combate ao Plástico ou ao Desperdício?

Nos últimos tempos, os termos sustentabilidade, alterações climáticas, plástico e outros que tais têm estado na ordem do dia. Organizações governamentais e não-governamentais, empresas, cidadãos e toda a sociedade em geral estão a ser chamados a repensar a forma como produzem, consomem e gerem os recursos do Planeta. De acordo com o relatório Climate Change and Land, apresentado pelo IPCC (Intergovernmental Painel on Climate Change) em Agosto de 2019, a redução das emissões de carbono pelos carros e indústrias já não será suficiente para resolver a crise climática; a solução passa sim por alterar drasticamente a forma como os solos são utilizados e como os alimentos são produzidos, e por reduzir consideravelmente o consumo de carne e o desperdício alimentar. É, portanto, urgente que se adotem medidas de combate às alterações climáticas e de proteção do meio ambiente, que as empresas tornem os seus negócios mais sustentáveis e que haja uma consciencialização das sociedades para estas temáticas e respetiva importância, e para o papel que cada um de nós tem como agente de mudança. Um exemplo disto é a jovem ativista sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que nos últimos meses tem inspirado dezenas de manifestações de jovens por todo o mundo, com o objetivo de exigir aos decisores políticos que se tornem ativos no combate às alterações climáticas.

O plástico tem sido, inevitavelmente, apontado como um dos grandes inimigos do ambiente pois a sua produção, consumo e desperdício têm elevados impactos ambientais. Neste sentido, têm surgido diversas iniciativas por parte de organizações internacionais que pretendem unir os diversos agentes económicos em torno de um único objetivo: combater o uso excessivo de plásticos no quotidiano. A iniciativa New Plastics Economy da Fundação Ellen MacArthur, pretende, entre outros objetivos, encontrar materiais que possam substituir o plástico presente nas embalagens. Numa conferência da ONU em Nairobi, 170 países-membros também se comprometeram a reduzir significativamente o uso de plásticos até 2030. O papel tem sido visto como uma boa alternativa ao plástico no entanto, uma parte da solução parece não passar pela substituição do plástico por outros materiais pois, de uma forma ou outra, terão sempre impactos no meio ambiente.

As estatísticas dizem que cerca de um terço da produção mundial é desperdiçada anualmente, quantidade essa que daria para alimentar os cerca de 900 milhões de pessoas que passam fome no mundo. Perante estes dados alarmantes, e considerando que é expectável que a população mundial cresça para 9,8 mil milhões de pessoas em 2050, talvez a única solução seja mesmo uma gestão sustentável dos recursos, nomeadamente através da redução do desperdício alimentar. Contudo, o desperdício vai muito para além da componente alimentar. Vivemos numa sociedade consumista em que o ato de comprar algo novo, não por necessidade, mas por prazer, é uma constante e em que o deitar alguma coisa fora é muitas vezes completamente desnecessário e evitável. Assim, impõe-se uma mudança na forma como as sociedades estão organizadas economicamente, isto é, transitar de uma economia linear para uma economia circular. A economia linear tem como processo produzir, consumir e descartar e, uma economia é tanto mais poderosa quanto maiores forem os níveis de produção e consumo. Uma economia circular, por oposição, assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia.

 

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Claro que ainda estamos muito longe desta realidade mas cada um de nós pode e deve ser um agente de mudança, com a responsabilidade de introduzir algumas práticas mais ecológicas e sustentáveis nas suas rotinas diárias.

Alexandra Martins

Alexandra Martins